quarta-feira, 29 abril

Da confeitaria informal ao modelo de franquias: a trajetória da Boutique do Pão de Ló

Durante a Conferência Brasileira de Confeitaria, Vanessa Lima e Tomás Santos destacaram os processos como base para escalar o negócio

O que começou como uma produção caseira de bolos, em 2013, tornou-se ao longo de mais de uma década uma operação estruturada, replicável e com múltiplos formatos de negócio. Essa é a trajetória da Boutique do Pão de Ló, apresentada por Vanessa Lima e Tomás Santos durante a Conferência Brasileira de Confeitaria, realizada recentemente.

Formada em Administração de Empresas, Vanessa Lima decidiu empreender após dez anos de atuação no mercado corporativo. O desejo por um negócio próprio vinha acompanhado de um forte legado familiar: a confeitaria informal sempre esteve presente em sua história, passando de geração em geração. 

A avó e a mãe, Dona Vera, sustentaram suas famílias produzindo bolos e doces em casa, uma realidade comum a muitas mulheres brasileiras. “Eu não vinha da produção, nunca fui da cozinha, mas tinha dentro de casa pessoas extremamente talentosas”, compartilhou Vanessa durante o painel.

O início foi simples e desafiador, encomendas feitas em casa, estrutura enxuta e muito trabalho manual. Pouco tempo depois, com a demanda crescendo e os limites da produção doméstica se tornando evidentes, surgiu a necessidade de dar um passo maior. Foi nesse momento que Tomás Santos entrou na história, primeiro como cliente, depois como sócio e parceiro no empreendedorismo.

A “carrocinha” que virou vitrine da marca

O primeiro grande desafio veio com a criação de um food truck, que circulava por eventos e cidades de Santa Catarina. Apesar de muitas vezes ser chamado de “carrocinha”, o veículo foi essencial para ampliar a base de clientes, validar o produto e fortalecer a marca. 

“Quando o cliente pede o seu produto, o desafio passa a ser como atender essa demanda sem perder a essência”, destacou Vanessa.

Ao longo dos anos, a Boutique do Pão de Ló evoluiu do food truck para lojas físicas, estrutura fabril e, mais recentemente, um modelo de franquias. Hoje, a marca conta com unidades em cidades como Itapema, Praia Brava, Joinville, Brusque e novas expansões em andamento.

Entre os principais aprendizados compartilhados por Vanessa e Tomás durante a Conferência Brasileira de Confeitaria, que aconteceu na última semana de janeiro em Curitiba – PR, um ponto foi reforçado diversas vezes, a importância da processualização. “Nada acontece de forma sustentável sem processos bem definidos. Desde a produção até a experiência do cliente, tudo precisa estar documentado, organizado e replicável”, afirmou Vanessa.

Tomás também destacou que a rede de apoio nem sempre vem da família e que criar vínculos reais com clientes e parceiros é fundamental. “Empreender é solitário. Muitas vezes, a validação não vem de quem está perto, mas do cliente que acredita no seu produto”.

O nome da marca, Boutique do Pão de Ló, carrega um significado especial, uma homenagem à avó de Vanessa, responsável por despertar o afeto e a memória afetiva ligada ao bolo que marcou gerações da família. “Para mim, bolo de aniversário sempre foi pão de ló. Esse nome é legado, é história e é propósito”, concluiu.

A experiência individual que vira aprendizado coletivo

A história da marca integrou a programação da Conferência Brasileira de Confeitaria, realizada em Curitiba no dia 26 de janeiro. Idealizado por Alyne Mundt, fundadora da Feito Chocolate, o evento teve formato inspirado nos TED Talks e reuniu profissionais da confeitaria para debater temas que vão além da técnica, como gestão, posicionamento de marca, inovação, tecnologia e os desafios concretos do mercado brasileiro.

Segundo Alyne, o debate não é sobre o tamanho do negócio de cada confeiteira, mas sobre a forma como ela se enxerga nesse ecossistema. “Enquanto a confeitaria não sair da informalidade mental, vai continuar se diminuindo. E o objetivo da Conferência é provocar essa virada de chave e fortalecer o reconhecimento do setor”.

Com o apoio de marcas como Barry Callebaut, IRCA Group, BlueStar e Master Martini, a Conferência Brasileira de Confeitaria se firma como um espaço de troca qualificada e aprofundada entre profissionais do setor. Com nova edição prevista para 2027, o encontro é direcionado a negócios que buscam crescimento sustentável, organização e visão de longo prazo na confeitaria profissional.

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