quarta-feira, 29 abril

Como era a Curitiba na década de 20

A Curitiba dos anos 20 tinha aproximadamente 100 mil habitantes, era essencialmente agrícola e os bondes puxados por mulas estavam sendo substituídos por bondes elétricos.

 Bairros como Bigorilho tinham muitas chácaras, o comercio a cultura e o lazer estavam localizados no centro.

A economia de Curitiba na época era predominantemente agrícola, com a produção de erva-mate e o cultivo de produtos como milho e feijão.

Circulam na época 2615 veículos, distribuídos em 183 automóveis entre particulares e do governo, 867 carroças de 4 rodas, 131 bicicletas 15 motos, 130 charretes, e 43 carros de praça.

 Existiam apenas 4 linhas de ônibus.

Nos anos 20 e 30, a Rua XV de Novembro se consolidou como um importante centro comercial da cidade.

Com a urbanização, surgiram lojas, cafés e estabelecimentos variados, atraindo tanto moradores quanto visitantes.

A Rua XV de Novembro tornou-se um ponto de encontro para a população curitibana. Com a presença de teatros, cinemas e espaços culturais, a rua pulsava com vida social e cultural. Eventos, festivais e apresentações artísticas eram comuns.

Os clubes Curitibano e Thalia também ficavam na área e realizavam bailes e festas que iam até mais tarde. Depois os boêmios da época iam até a Rua XV para matar a fome da madrugada.

100 anos do  Bar Mignon

O Bar Mignon foi fundado em 1925 por Heitor Amatuzzi,

Localizado no final da Rua XV – na Boca Maldita, o coração da cidade – é um dos mais tradicionais de Curitiba. 

Heitor Amatuzzi, o fundador, era filho de um imigrante italiano da região da Calábria, na Itália. Seu pai veio com o irmão para a Argentina, mas depois migrou a Curitiba.

Aqui casou com Itália Jeanjauli Amatuzzi. Heitor nasceu em março de 1899.

Em 1945 os Amatuzzi se mudaram para a atual sede, ao lado do Bar Triângulo, que por ali já estava há pelo menos dez anos.

Na nova sede, começaram a ser servidos os pratos que tornaram o Mignon famoso.

O carro-chefe sempre foi o pão com pernil e cebolinha verde, receita inventada pela família na Itália trazida de  navio para Curitiba:

O sanduíche foi uma adaptação do pão com pernil de cordeiro temperado, tradicional da região da  Calábria.- na Italia 

Além do pernil com verde, o Mignon também servia e serve o tradicional cachorro-quente.

Outro prato característico é o Sanduiche  Marchand, que só existe no Mignon.

Trata-se de uma mistura do pão de pernil com verde e vina, e teria surgido quando Rubens Marchand, então vice-presidente do Coritiba Futebol Clube, ficou na dúvida entre um sanduíche e outro, e acabou misturando os dois.

Essa história quem contou e popularizou foi o escritor Manoel Carlos Karam. O assim chamado Marchand ainda é servido no Mignon. 

Aos mais famintos, também é servido o filé de alcatra com arroz, tomate, cebola, salada de maionese e linguiça calabresa no palitinho.

A maionese é tratada com louvor e segredo, já que a receita é passada de geração em geração de cozinheiras.     

Sempre regado a muita cerveja e chopp, o Bar Mignon, dos anos 40 aos anos 70, funcionou 24 horas (incluindo Natal e Ano Novo), sendo uma das únicas opções além do Bar Triângulo e do Bar Palácio a se manter aberto na madrugada

Frequentadores Famosos

Jaime Lerner  frequentava o bar desde quando era estudante. Entre as presenças não paranaenses, estiveram no mignon três presidentes da republica: Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek e Luiz Inácio Lula da Silva.

O famoso escritor e poeta curitibano Paulo Leminski também era um frequentador assíduo, passava de 10 a 12 horas tomando chopp e escrevendo

Fechamento da Rua XV e dias atuais

Em 1972 a Rua XV foi fechada para  carros, os hábitos mudaram: as mesas foram transferidas para a calçada sob toldos roxos e o público, composto por cada vez mais turistas, passou a comer e a beber ali, ao invés de ficarem em seus carros e nos balcões do bar — como era feito antes do fechamento.

Mas as receitas continuaram as mesmas.

Desde 1995, o Mignon é administrado por Paulo Cordeiro, genro de Heitor, que casou com Silvia Amatuzzi.

Hoje, o Bar Mignon está sob a 4ª geração da família Amatuzzi, que mantém a tradição de um dos bares mais antigos e charmosos de Curitiba. Para desfrutar dessa história, nada melhor do que ir até o Mignon e saborear um chopp gelado e um pernil com verde.

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