Reconhecimento do INPI valoriza uma tradição gastronômica dos Campos Gerais e fortalece produtores locais e o turismo
Há quase 150 anos, imigrantes russo-alemães trouxeram para Palmeira, nos Campos Gerais, uma receita preparada com carne suína, repolho e pães cozidos no vapor. Conhecido como pão no bafo, o prato atravessou gerações, tornou-se símbolo da culinária local e, nesta terça-feira (16), recebeu o reconhecimento de Indicação Geográfica (IG), na modalidade Indicação de Procedência (IP), concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).
A conquista é resultado de um trabalho entre empreendedores, Sebrae/PR, Prefeitura de Palmeira, Conselho Municipal de Turismo (Comtur) e comunidade. A mobilização envolveu ações de sensibilização, capacitação e a criação da Associação dos Produtores de Pão no Bafo de Palmeira (Apafo), que passa a ser a guardiã do uso e da promoção da IG.
O prato, feito com carne suína, repolho (azedo ou não) e pãezinhos cozidos no vapor, chegou à região em 1878 com os imigrantes russo-alemães, que se instalaram em comunidades como Quero-Quero, Colônia Papagaios Novos, Santa Quitéria, Lago e Pugas. Desde então, tornou-se parte essencial da culinária local e, em 2015, foi declarado Patrimônio Imaterial do Município.
“A IG vem para reconhecer e, também, assegurar a proteção da marca do pão no bafo de Palmeira, com regras a serem seguidas de quem pode usá-la, além do valor histórico e turístico. Os clientes são atraídos com produtos com IG e isso vai trazer mais visibilidade para a cidade. Além disso, a formação da Associação gera união em prol do uso da marca”, comenta Rosane Radecki presidente da Apafo, que hoje conta com cinco empresas associadas.
Para a consultora do Sebrae/PR, Nádia Joboji, a conquista reforça a identidade cultural de Palmeira, sua procedência e abre novas oportunidades para os negócios locais.
“A Indicação Geográfica reconhece uma história construída por muitas gerações, valorizando o saber fazer local, fortalecendo a conexão entre o produto e o território, transmitindo confiança ao consumidor. Mais do que beneficiar os produtores, essa conquista fortalece a identidade de Palmeira, impulsiona o turismo, movimenta a economia local e amplia a visibilidade do município. É uma forma de transformar cultura, tradição e identidade em oportunidades, despertando o interesse de visitantes que buscam experiências autênticas e conectadas à essência do lugar”, avalia.
O Pão no Bafo de Palmeira também integra o livro Sabores dos Campos Gerais, publicado pela Associação dos Municípios dos Campos Gerais (AMCG), e é presença constante em festivais e eventos gastronômicos da região, promovidos por entidades parceiras como a Adetur Campos Gerais, Abrasel, Sesc e Senac. As iniciativas vêm para contribuir na valorização da gastronomia regional, fortalecendo a identidade cultural e ampliando a visibilidade de um dos mais tradicionais patrimônios gastronômicos dos Campos Gerais.
Priscila Junqueira Sawatzky, sócia-proprietária de restaurante típico alemão fundado há dez anos, na colônia Witmarsum, conta que há nove anos incluiu o pão no bafo no cardápio. Para Priscila, o registro da Indicação Geográfica (IG) vai fortalecer a divulgação, preservar a história e a tradição, além de ampliar a notoriedade do Município.
“A conquista da IG também é um controle de qualidade. É a garantia de que a receita original e a tradição no preparo serão mantidas, com todo o controle de qualidade necessário para a manutenção do padrão de preparo”, salienta.
O diretor-geral da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento, Bruno Krevoruczka, destaca que a conquista da Indicação Geográfica para o Pão no Bafo de Palmeira vai além do reconhecimento de uma receita tradicional.
“Ela celebra a identidade cultural do Paraná, a história dos nossos produtores e a força da nossa gastronomia. O selo de Indicação de Procedência agrega valor, estimula o turismo e a gastronomia local e abre novas oportunidades de renda para as famílias da região. O Paraná, a cada conquista como essa, demonstra a qualidade do que é feito aqui e a importância do trabalho em conjunto das instituições, dos extensionistas e dos nossos produtores. Todos estão de parabéns”, destaca.
Paraná alcança 27 IGs
A Indicação Geográfica (IG) representa um diferencial competitivo importante para os pequenos negócios, ao destacar a originalidade dos produtos e o vínculo com a cultura local. A certificação estimula a organização produtiva, promove o desenvolvimento regional e protege os saberes e métodos tradicionais de produção.
Com o recente reconhecimento do pão no bafo como Indicação Geográfica, o Paraná chega à marca de 27 produtos certificados, incluindo couro de peixe de Pontal do Paraná; o ginseng de Querência do Norte; o Café da Serra de Apucarana; as tortas de Carambeí; ostras do Cabaraquara; ponkan de Cerro Azul; broas de centeio de Curitiba; cracóvia de Prudentópolis; carne de onça de Curitiba; café de Mandaguari; urucum de Paranacity; queijo colonial do Sudoeste do Paraná; mel de Ortigueira; queijos coloniais de Witmarsum; cachaça e aguardente de Morretes; melado de Capanema; vinhos de Bituruna; mel do Oeste do Paraná; barreado do Litoral do Paraná; bala de banana de Antonina; erva-mate São Matheus; camomila de Mandirituba; uvas finas de Marialva; cafés especiais do Norte Pioneiro; morango do Norte Pioneiro e a goiaba de Carlópolis.
Há, ainda, o mel de melato da bracatinga do Planalto Sul do Brasil, IG concedida a Santa Catarina que envolve municípios do Paraná e Rio Grande do Sul. No total, o Brasil soma 164.
