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Pesquisa ABF/GALUNION aponta crescimento das redes, novas estratégias diante do GLP-1 e avanço na área de supply chain

Estudo Setorial Anual do Franchising de Alimentação mostra que 94% das empresas pesquisadas tiveram lucro no último ano

Delivery já representa, em média, 22,5% do faturamento e os efeitos dos medicamentos GLP-1 (“canetas emagrecedoras”) começam a transformar os cardápios


Crescimento, rentabilidade, evolução da gestão, do delivery e mudanças no comportamento do consumidor, impulsionadas também pelo avanço dos medicamentos GLP-1, conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras”, estão redesenhando a agenda estratégica do franchising de Alimentação. Ao mesmo tempo em que o segmento mantém indicadores positivos, as redes avançam também na gestão de supply chain, ampliam e integram canais de venda e enfrentam desafios relacionados a pessoas, produtividade e margens. É o que revela a Pesquisa Anual Setorial de Food Service ABF 2025-2026, realizada pela Associação Brasileira de Franchising em parceria com a GALUNIONInteligência Estratégica para Foodservice.
 

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O estudo revela que 94% das empresas pesquisadas registraram lucro no último ano e que o segmento de Alimentação, individualmente o mais representativo do franchising brasileiro, apresentou crescimento de 15,6% em faturamento, que alcançou R$ 79,862 bilhões no ano passado, em comparação com 2024. O número de lojas também avançou 3,1%, reunindo mais de 900 redes. No primeiro trimestre de 2026, frente ao mesmo período do ano anterior, o número de lojas cresceu 4,6%, enquanto o faturamento avançou expressivos 14,4%, somando R$ 19,594 bilhões.
 

De acordo com a Pesquisa Trimestral de Desempenho do Franchising feita pela ABF, referente aos primeiros três meses de 2026, Alimentação – Comercialização e Distribuição foi o segmento que apresentou maior faturamento (22%) no período pesquisado, somando R$ 7,2 bilhões. Já Alimentação – Food Service apresentou o quarto melhor desempenho (10,4%), com receita de R$ 12,4 bilhões.

A distribuição das margens reforça o cenário de lucratividade: entre as empresas pesquisadas, 66% registraram lucro acima de 10%, sendo que 34% obtiveram resultado líquido médio entre 10% e 15% – faixa que concentra a maior parcela das respostas – e 32% afirmaram obter lucro acima de 15%.

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Delivery deixa de ser apenas canal e se consolida como modelo de negócio

O estudo também evidencia a consolidação do delivery, que deixou de ser uma frente de crescimento isolada como canal de vendas para se transformar em um novo modelo de negócio cada vez mais estruturado e estratégico para o Food Service, e que precisa ser gerido como canal de margem, dados e fidelização. Nove em cada dez empresas (90%) trabalham com delivery e, em média, o canal respondeu por 22,5% do faturamento das operações em 2025. De acordo com 44% das marcas respondentes, o delivery já representa mais de 16% do faturamento.
 

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A evolução do segmento também é marcada por uma competição maior entre as plataformas de entrega e pela necessidade de as redes construírem estratégias próprias para equilibrar alcance, custos, relacionamento e rentabilidade. Nesse cenário, o delivery passa a envolver muito mais do que a logística de levar o produto ao consumidor: incorpora experiência, dados, fidelização, conveniência, construção de marca e novas possibilidades de relacionamento. Assim, a maturidade do canal exige das redes uma gestão mais sofisticada de parceiros, plataformas, canais próprios e custos de operação, buscando capturar valor em um ambiente de concorrência crescente.
 

Para Tom Moreira Leite, presidente da ABF, “os resultados mostram a maturidade e a resiliência do franchising de Alimentação. Temos um segmento que cresce consistentemente ano após ano, contribui fortemente para a geração de empregos e renda, e demonstra capacidade de proteger sua rentabilidade, mesmo em um ambiente mais complexo. Ao mesmo tempo, os dados mostram que a próxima etapa de evolução passa por uma gestão cada vez mais integrada e orientada por dados, eficiência e experiência. Supply chain, tecnologia, pessoas, canais e conhecimento do consumidor precisam estar conectados para que as redes ganhem produtividade, agilidade e capacidade de adaptação sem perder qualidade”.
 

A pesquisa, feita por amostragem, envolveu 62 marcas do segmento de Alimentação associadas à ABF (tanto do subsegmento Food Service quanto de Comercialização e Distribuição), que respondem por 45% da receita dessas redes, por 38% do faturamento total das marcas do franchising desse segmento (incluindo não associadas) e por 32% das operações. A amostra reúne, ainda, 15.975 pontos de venda (PDVs), a maior parte em lojas de Rua (60%), seguidas de Shopping Centers (26%), 13% em Centros Comerciais e 1% em Terminais de passageiros.
 

Quanto ao tipo de culinária predominante na amostra, 15% das redes são de Variada/Brasileira, 13% Asiática, 11% Cafeteria/Chás, 10% Salgados e snacks, 8% Saudável, 6% Bolos e doces e 6% Hamburgueria/Sanduicheria. Pizzas, Peixes e frutos do mar e Grelhados/Churrasco representam 5% cada.
 

GLP-1 já provoca mudanças nos cardápios

Entre as transformações recentes no comportamento do consumidor, o avanço dos medicamentos GLP-1, conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras”, já começa a produzir efeitos concretos no Food Service. Segundo a Pesquisa ABF/GALUNION, 53% dos respondentes afirmam ter realizado adaptações nos cardápios em função do aumento do uso desses medicamentos. Igualmente, mais da metade (52%) destacaram as opções com apelo saudável, 48% passaram a oferecer opções mais leves e 36% evidenciaram pratos com maior teor de proteína.
 

“Os dados sobre os GLP-1 chamam muito a atenção porque mostram uma mudança de comportamento que já está chegando à operação. Quando mais da metade das redes pesquisadas declara ter feito alguma adaptação no cardápio, estamos diante de um movimento que merece ser acompanhado de perto. Não se trata apenas de reduzir itens, mas de entender novas ocasiões de consumo, tamanho de porções, composição do menu e o papel que a alimentação passa a ter na jornada desse consumidor”, destaca Simone Galante, fundadora e CEO da GALUNION.

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Quanto às mudanças dos cardápios de uma forma geral, 61% das respondentes reorganizaram o menu para publicação online/digital, enquanto 56% reduziram itens do cardápio e 55% introduziram produtos de receita própria. O cenário indica uma busca por menus mais inteligentes, enxutos e adequados às novas necessidades e hábitos de consumo.
 

Supply chain ganha protagonismo

Um dos movimentos que mais evidenciam o amadurecimento da gestão no Food Service é o avanço da agenda de supply chain, que passa a ocupar papel cada vez mais estratégico nas decisões das redes. A gestão integrada de suprimentos, compras, distribuição e logística com fornecedores ganha relevância não apenas para garantir abastecimento e padronização, mas também para proteger margens, reduzir desperdícios, aumentar previsibilidade e dar maior agilidade à operação.
 

Essa evolução aparece entre as prioridades de investimento das redes para 2026: 69% das empresas pesquisadas pretendem investir em Suprimentos, Compras, Distribuição e Logística com Fornecedores. O movimento acompanha uma realidade de maior complexidade operacional, na qual escala, disponibilidade de produtos, custos, eficiência logística e capacidade de resposta precisam estar cada vez mais conectados.
 

A agenda também se relaciona diretamente à rentabilidade. Em um ambiente de custos mais pressionados e consumidor mais sensível a preço e valor, a eficiência da cadeia de abastecimento deixa de ser uma questão exclusivamente operacional e passa a ser parte central da estratégia do negócio.
 

Pessoas no centro dos desafios

Se o desempenho financeiro aparece como um ponto forte, a gestão de pessoas é apontada como a principal “dor” do segmento. A retenção de colaboradores foi citada por 87% dos respondentes como uma dificuldade. Para retê-los, entre as principais ações adotadas pelas marcas respondentes destacam-se a Premiação por metas (73%), os Treinamentos operacionais e de gestão (71%) e a adoção de Novos benefícios (60%). Outras práticas também foram mencionadas pelas respondentes: 44% oferecem bolsa-estudo, 42% empréstimo consignado e 40% fazem ajustes no formato de remuneração variável.

 

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“O estudo reforça que a retenção de bons colaboradores é um dos principais desafios do segmento de Alimentação e que investir nas pessoas é essencial para sustentar o desempenho dos negócios. As diversas estratégias adotadas pelas redes mostram que elas estão buscando valorizar, desenvolver e engajar suas equipes. Ao mesmo tempo, a tecnologia pode ser uma grande aliada nesse processo, ao simplificar rotinas, apoiar a capacitação e aumentar a produtividade das equipes”, avalia Bruno Gorodicht, coordenador da Comissão de Food Service da ABF.
 

Os treinamentos realizados pelas redes estão fortemente concentrados na operação (92%), abertura de lojas (87%), vendas e atendimento (82%) e delivery (81%). Já temas relacionados a novas tecnologias e inteligência artificial aparecem em apenas 26% das respostas, sinalizando uma oportunidade de ampliar o uso dessas ferramentas para além da comunicação e do marketing.
 

Expansão, multifranqueados e novas oportunidades

A expansão das redes pesquisadas está cada vez mais associada à busca por modelos mais enxutos, flexíveis e adaptáveis a diferentes contextos de consumo e localização. Entre os formatos considerados mais interessantes pelas redes estão os Pontos de venda avançados/quiosques (50%), as Lojas em lugares não tradicionais (39%) e as Lojas de menu reduzido (37%). O movimento sinaliza uma estratégia de crescimento que vai além da simples multiplicação de unidades e busca combinar presença de marca, potencial de vendas e eficiência operacional.
 

A adoção desses formatos permite às redes explorar novas oportunidades de mercado e ampliar a capilaridade, inclusive em locais com características distintas dos tradicionais pontos de venda. Modelos menores e operações com menu reduzido também podem contribuir para uma estrutura operacional mais ágil, enquanto pontos de venda avançados e quiosques ampliam as possibilidades de presença em diferentes ambientes e ocasiões de consumo. Nesse cenário, a expansão passa a exigir maior capacidade de adaptação do modelo de negócio sem comprometer a identidade, os padrões e a experiência da marca.
 

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Os multifranqueados também ocupam posição relevante nessa estratégia de crescimento. Entre as redes respondentes, 68% deles são multimarcas e 21%, monomarca. O estudo aponta, ainda, que 59% das marcas respondentes priorizam a expansão por meio de multifranqueados. A preferência por esse perfil de operador reforça a importância de parceiros com capacidade de gestão e experiência para conduzir múltiplas unidades, especialmente em um ambiente no qual as redes avançam para novos formatos, mercados e regiões.
 

Mais do que ampliar o número de operações, a expansão por meio de multifranqueados pode favorecer uma gestão mais integrada da rede e a disseminação de práticas de operação, gestão e desempenho entre unidades. O desafio, nesse contexto, é assegurar que o crescimento venha acompanhado de consistência na execução e capacidade de manter os padrões da marca em uma estrutura cada vez mais ampla e diversificada.

Para Simone Galante, “a nova fronteira da expansão não é abrir mais lojas, é abrir com operadores mais preparados, em modelos mais resilientes e com maior disciplina de execução”.
 

O conjunto dos resultados da Pesquisa aponta para uma mudança importante na agenda estratégica das redes de Food Service. Depois de um período marcado pela expansão e pela multiplicação dos canais de venda, o desafio passa a ser crescer com produtividade, eficiência e rentabilidade, apoiado por uma operação cada vez mais integrada. Supply chain mais estruturado, tecnologia aplicada à operação, gestão de pessoas, inteligência sobre os canais e capacidade de adaptação a um ambiente de custos mais complexo ganham peso nas decisões.
 

“O Food Service está diante de uma transformação que combina crescimento e maior complexidade. O consumidor mudou, os canais mudaram e as redes estão atentas para acompanhar esse movimento com velocidade, sem perder eficiência. O que vemos na Pesquisa é justamente essa transição: o segmento que já cresce com maturidade precisa avançar ainda mais na transformação de dados, tecnologia, sustentabilidade e conhecimento do consumidor em maior produtividade e valor para todo o seu ecossistema”, observa Tom Moreira Leite.
 

Novas prioridades de investimento

Para 2026, a sofisticação dos canais e da gestão de clientes tende a avançar. Entre as redes pesquisadas, 81% afirmam que seus investimentos estarão concentrados em Marketing, Fidelidade e Relacionamento com o Cliente; 69% em Suprimentos, Compras, Distribuição e Logística com Fornecedores; e 56% no uso de IAs disponíveis no mercado para gestão do conhecimento interno. Além disso, 95% das redes pretendem lançar novos produtos este ano.
 

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O conjunto desses movimentos mostra que a agenda de inovação do Food Service está cada vez mais ligada à integração entre áreas. Da cadeia de abastecimento ao relacionamento com o consumidor, passando por tecnologia, com o avanço da Inteligência Artificial, dados, pessoas e desenvolvimento de produtos, as redes de franquias de Alimentação buscam construir operações capazes de responder mais rapidamente ao mercado.
 

Entre oportunidades e desafios, a Pesquisa ABF/GALUNION reforça que o franchising de Alimentação brasileiro chega a 2026 ainda mais estruturado e sofisticado. A nova vantagem competitiva estará cada vez mais na qualidade e na integração do sistema como um todo, conectando cadeia de suprimentos, operação, pessoas, tecnologia, canais, experiência do consumidor e gestão de margens.
 

ESG ganha espaço na operação

A agenda de ESG e sustentabilidade também aparece de maneira cada vez mais prática no segmento de Alimentação. Entre as práticas ambientais identificadas, 53% das redes pesquisadas declararam utilizar embalagens ambientalmente responsáveis; 40%, realizar coleta e destinação de óleo vegetal usado; e 37%, coleta seletiva e destinação adequada de resíduos. “Mais do que uma agenda institucional, a sustentabilidade começa a ser conectada à própria eficiência do negócio. Redução de desperdícios, economia de energia, gestão de embalagens e valorização das pessoas podem contribuir simultaneamente para melhorar margens, fortalecer a reputação das marcas e responder às novas expectativas dos consumidores”, conclui o presidente da ABF.
 

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Sobre a ABF

A ABF – Associação Brasileira de Franchising é uma entidade sem fins lucrativos, fundada em 1987, que representa oficialmente o sistema de franquias brasileiro. O setor registra um faturamento anual superior a R$ 301,7 bilhões em 2025, mais de 202 mil operações e cerca de 3,3 mil marcas de franquias espalhadas por todo o Brasil. Além disso, o franchising brasileiro responde por mais de 2% do PIB e emprega diretamente mais de 1,760 milhão de pessoas. Atualmente com mais de 1.700 associados e cobrindo todo o território nacional por meio da seccional Rio de Janeiro e de regionais (Centro-Oeste, São Paulo Capital e Grande SP, Interior de São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo, Norte e Nordeste, e Sul), a entidade reúne franqueadores, franqueados, advogados, consultores e demais fornecedores e stakeholders do setor. Não sendo um órgão regulador, o propósito da ABF é fomentar o franchising brasileiro, nacional e internacionalmente, para que ele se mantenha próspero, sustentável, inovador, inclusivo, íntegro e ético. A Associação dedica-se a aperfeiçoar o sistema de franquias brasileiro por meio da capacitação de pessoas em diversos cursos presenciais e online, do estímulo à inovação, da disseminação das melhores práticas, da representação junto às diversas instâncias públicas e divulgação dos resultados do setor. Acompanhe as notícias da ABF na newsletter quinzenal e gratuita.

Sobre a GALUNION

Inteligência que constrói o futuro do Foodservice.

Há 17 anos, a GALUNION atua como hub de inteligência estratégica do Foodservice brasileiro. Conecta leitura de mercado, tendências, tecnologia e experiência prática para transformar complexidade em decisões e movimentos que fortalecem os negócios e o setor. Por meio de consultoria especializada, pesquisas proprietárias, eventos, missões e conexões qualificadas, aproxima líderes, operadores, indústrias, empresas de tecnologia e instituições em torno de um Foodservice mais competitivo, conectado e preparado para o futuro.

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