O “Oscar do Azeite” na Toscana revela o melhor da Europa e traz lição histórica para o Brasil
O Prêmio Internacional Il Magnifico é a honraria máxima da olivicultura na Europa. Realizado anualmente na Itália, ele não é apenas uma competição, mas um selo de excelência que define quais são os azeites extravirgens que atingiram o ápice da qualidade sensorial e técnica no mundo. Receber a Estátua Menvra (a deusa etrusca da sabedoria) do Il Magnifico é equivalente a conquistar três estrelas Michelin no universo gastronômico.
Esta semana, dia 25 de março, em Florença, aconteceu a aguardada revelação do melhor azeite europeu de 2026. Em um ano de safra desafiadora, o prêmio apontou o produto que se destacou entre mais de 300 de amostras de todo o continente, consolidando-se como uma das referências globais de sabor, aroma e pureza para o próximo ano.
Para conferir de perto essa revelação, o evento contou com a presença da especialista Lai Pereira. Radicada na Toscana e fundadora da empresa Il Grappolo Events (especializada em eventos de luxo na região), Lai detém um título inédito: ela é Técnica em Degustação de Azeite de Oliva Virgem e Extra Virgem, certificada pelo COI (Conselho Oleícola Internacional) da União Europeia.
Lai é a primeira pessoa brasileira em absoluto a ser formada para esta função pela Câmera de Comércio de Lucca, Pisa e Livorno, o que a coloca em uma posição única de autoridade para analisar a interseção entre a tradição italiana e o crescente mercado brasileiro.
Um dos fatos mais marcantes para Lai Pereira nesta edição do prêmio é uma ironia técnica: o melhor azeite italiano deste ano foi produzido a partir de uma variedade de azeitona não-italiana. O azeite vencedor foi o Único da empresa Miceli & Sensat, com a variedade Picual, que é originária da Espanha e cultivada na Sicília por este produtor.
“Este foi justamente o desafio que os produtores se colocaram ao enviar esse azeite: provar que a técnica e o terroir podem criar um campeão, independentemente da origem da planta”, explica Lai.
Para a especialista, esse resultado é uma grande inspiração para a produção brasileira. Como o Brasil possui prevalentemente variedades não autóctones (nativas), o sucesso italiano com uma variedade estrangeira prova que o azeite brasileiro tem um caminho aberto para a elite mundial, dependendo apenas do aprimoramento técnico e do cuidado com a terra.
Lai encerra sua análise destacando que o mundo do azeite é tão vasto quanto o do vinho e ainda há muito a crescer. “O azeite de alta qualidade é um elemento vivo, inspirador e que ainda tem muito espaço para desenvolvimento, especialmente na educação do paladar do consumidor brasileiro”.
Fotografias: Divulgação
